emílio remelhe & pseudónimos workshop criativo de escrita e desenho
CINCO [MIL] SENTIDOS
Reitoria da Universidade do Porto/Editora Civilização, Setembro.Outubro 2009
até b´logo!
ao Renato agradeço a criação do blog 5milsentidos.blogspot.com transformando os sentidos em cinco milhões...
à Adozinda, Ana Maria, António, Francisca, Iolanda, Isabel, José, Luís, Luísa, Maria de Fátima, Rute, Sara, Telmo, Valter, agradeço a participação, transformando os sentidos em cinco mil milhões...
Reitoria da Universidade do Porto/Editora Civilização, Setembro.Outubro 2009
até b´logo!
ao Renato agradeço a criação do blog 5milsentidos.blogspot.com transformando os sentidos em cinco milhões...
à Adozinda, Ana Maria, António, Francisca, Iolanda, Isabel, José, Luís, Luísa, Maria de Fátima, Rute, Sara, Telmo, Valter, agradeço a participação, transformando os sentidos em cinco mil milhões...
PALADAR
primeira sessão, dezassete de Setembro
primeira sessão, dezassete de Setembro
Jeito para desenhar? Jeito para escrever? Questões dispensáveis para quem vem cá deitar mãos à obra.
Chá para quebrar o gelo, bolachas salgadas e biscoitos doces para alimentar o desenho e a escrita,actividades agridoces.
Aliás, o Chá Gorreana oferece-nos a atenção para o que é essencial, torna-nos mais atentos, aguça a imaginação, melhora a rapidez de resposta e tudo isto sem ser demasiado estimulante [www.gorreana.com]
Chá para quebrar o gelo, bolachas salgadas e biscoitos doces para alimentar o desenho e a escrita,actividades agridoces.
Aliás, o Chá Gorreana oferece-nos a atenção para o que é essencial, torna-nos mais atentos, aguça a imaginação, melhora a rapidez de resposta e tudo isto sem ser demasiado estimulante [www.gorreana.com]
AMARGO, SALGADO, AZEDO, DOCE
Rede lexical, semântica, associação de ideias, sentido literal, sentido figurado
Limão
Suor
Açúcar
Casca de laranja
Queijo da serra
Vinagre
Sal
Mel
Bacalhau
Tremoço
Presunto
Leite
Pão
Chocolate
Toranja
Óleo de fígado de bacalhau
Biscoito
Café
Água ardente
Iogurte
Tarte
Batido natural de morango e kiwi
Iogurte estragado
Amêndoa
Cerveja
Maracujá
Morte
Sol
Vida
Mãos
Beijo
Rancor
Despedida
Tristeza
Cacau
Sexo
Verde
Traição
Mimo
Beijo amoroso
Perda
Lixa
Uvas
Nudez
Mar
Solidão
Lágrima
Carícia
Ciúme
Domingo
Remorso
Trabalho
Brisa
Dor
Revês
Corpo
Fracasso
Vómito
Tango
Choro
Discussão
Doença
O não
O êxito trabalhado
A almofada da infância
Uma viúva
Certas velhices
A realização
Trabalho
Berros.
Pé torcido
Amargura
Madeira lascada comida apodrecida.
Vento vindo do mar
Lágrimas minhas
Um esgar de desprezo
Luz matinal
O arroz é doce como amargo é o teu olhar doce
Rede lexical, semântica, associação de ideias, sentido literal, sentido figurado
Limão
Suor
Açúcar
Casca de laranja
Queijo da serra
Vinagre
Sal
Mel
Bacalhau
Tremoço
Presunto
Leite
Pão
Chocolate
Toranja
Óleo de fígado de bacalhau
Biscoito
Café
Água ardente
Iogurte
Tarte
Batido natural de morango e kiwi
Iogurte estragado
Amêndoa
Cerveja
Maracujá
Morte
Sol
Vida
Mãos
Beijo
Rancor
Despedida
Tristeza
Cacau
Sexo
Verde
Traição
Mimo
Beijo amoroso
Perda
Lixa
Uvas
Nudez
Mar
Solidão
Lágrima
Carícia
Ciúme
Domingo
Remorso
Trabalho
Brisa
Dor
Revês
Corpo
Fracasso
Vómito
Tango
Choro
Discussão
Doença
O não
O êxito trabalhado
A almofada da infância
Uma viúva
Certas velhices
A realização
Trabalho
Berros.
Pé torcido
Amargura
Madeira lascada comida apodrecida.
Vento vindo do mar
Lágrimas minhas
Um esgar de desprezo
Luz matinal
O arroz é doce como amargo é o teu olhar doce
CADÁVER (QUASE) ESQUISITO
Escrita em círculo
A doçura do teu olhar deu um novo fôlego à minha amarga é uma carga aos condimentos adocicados são os anjos amargos das casas brancas são folhas sem tinta (?) sobre o mesmo mar salgado pode ser o contrário de doce lágrima do copo de bom vinho suado, arrepios de poros entupidos, que chatice! Minha Dulcineia, quem é esta? Azedou, queria saber…
O sol sente-se nas papilas gustativas da ponta da língua. Encarquilhada como se come língua. Ah a língua portuguesa ali no estrangeiro que doçura senti. Um prazer em mastigar como um tigre um naco de carne sangrenta, umas quantas cebolas em vinagre, inteiras! Inteiras, as tuas palavras têm menos azedume do que quando chegam pela metade. Procurei esse lado perdido de mim próprio. Propriamente era esta a corrida às azedas.
Os teus dedos são amargos à noite é doce e amargo como a fome é bicho ruim (?) generoso torna a vida mais doce saborear o sal do corpo amado lingrinhas, já te vejo a espinha desgraçado en-limoado, açucarado, adoçado com mel. Não é excitante, mas é quente, para a alma quando fica o pH muito baixo.
Gshuumm, ia tarr! Que calafrio, quando finalmente se habituou à temperatura sentiu o doce derreter do gelado. É bom em contraste com o escaldar do calor na pele, assim como o acetato, o azedo é como água na sede quando está ali ao nosso alcance quando mais falta faz. Faz de conta que a guerra não é azeda, que é para dormirmos melhor. Como um corpo mais depurado, expurga-te da sua podridão. Foi assim que chegámos a este azedume na relação. Nosso relacionamento lembra a amargura de um prego enferrujado. Foi isso que lhe chamei! Não passas de um apregoar o bom samaritano pregar ao mundo é a razão mais doce de alegrar o mundo é o meu país do doce é Portugal meu, tão pequenino e amargo – uma toranja, diríamos, à beira mar semeada. As batatas espreitam do campo castanho.
A amargura não conta para fazer licor de voz (não nós) com sal faz mal doce faz mal, por mal no sal exagero dos santos e bolos azedos de amêndoa, recoberta de chocolate derretendo na boca e trazendo como a proust as memórias da infância, hum! Que bom ser criança sem ser infantil; é engano, o cristal de menina que permanece em mim não é azedo, é justo para com aquela menina. Menina azeda como judas, tens a língua mais afiada do que os pregos que prenderam Jesus à cruz. Como um trabalho repetido dia-a-dia, manhã-a-manhã, hora a hora, minuto a minuto.
Os dias eram claros, traziam uma luz branca para o interior das casas, mas também um travo amargo à memória. Ela recordava o azedo das suas palavras. E são as suas letras que lembram o sabor amargo. Não! Quebraste o saleiro da minha avó!!! Dá-me um pão com doce de morango é o teu lábio onde a amargura pousou a consciência numa batata adocicada, amarguramente esquecida por entre as árvores, de raízes acérrimas, por vezes doces, mas sempre salgadas palavras podem sr doces ou afiadas como pregos pregados, presos, encalhados na madeira morta!! Arre, morta e bem morta que não te levantes mais escomalha! Que me impedes
...
Escrita em círculo
A doçura do teu olhar deu um novo fôlego à minha amarga é uma carga aos condimentos adocicados são os anjos amargos das casas brancas são folhas sem tinta (?) sobre o mesmo mar salgado pode ser o contrário de doce lágrima do copo de bom vinho suado, arrepios de poros entupidos, que chatice! Minha Dulcineia, quem é esta? Azedou, queria saber…
O sol sente-se nas papilas gustativas da ponta da língua. Encarquilhada como se come língua. Ah a língua portuguesa ali no estrangeiro que doçura senti. Um prazer em mastigar como um tigre um naco de carne sangrenta, umas quantas cebolas em vinagre, inteiras! Inteiras, as tuas palavras têm menos azedume do que quando chegam pela metade. Procurei esse lado perdido de mim próprio. Propriamente era esta a corrida às azedas.
Os teus dedos são amargos à noite é doce e amargo como a fome é bicho ruim (?) generoso torna a vida mais doce saborear o sal do corpo amado lingrinhas, já te vejo a espinha desgraçado en-limoado, açucarado, adoçado com mel. Não é excitante, mas é quente, para a alma quando fica o pH muito baixo.
Gshuumm, ia tarr! Que calafrio, quando finalmente se habituou à temperatura sentiu o doce derreter do gelado. É bom em contraste com o escaldar do calor na pele, assim como o acetato, o azedo é como água na sede quando está ali ao nosso alcance quando mais falta faz. Faz de conta que a guerra não é azeda, que é para dormirmos melhor. Como um corpo mais depurado, expurga-te da sua podridão. Foi assim que chegámos a este azedume na relação. Nosso relacionamento lembra a amargura de um prego enferrujado. Foi isso que lhe chamei! Não passas de um apregoar o bom samaritano pregar ao mundo é a razão mais doce de alegrar o mundo é o meu país do doce é Portugal meu, tão pequenino e amargo – uma toranja, diríamos, à beira mar semeada. As batatas espreitam do campo castanho.
A amargura não conta para fazer licor de voz (não nós) com sal faz mal doce faz mal, por mal no sal exagero dos santos e bolos azedos de amêndoa, recoberta de chocolate derretendo na boca e trazendo como a proust as memórias da infância, hum! Que bom ser criança sem ser infantil; é engano, o cristal de menina que permanece em mim não é azedo, é justo para com aquela menina. Menina azeda como judas, tens a língua mais afiada do que os pregos que prenderam Jesus à cruz. Como um trabalho repetido dia-a-dia, manhã-a-manhã, hora a hora, minuto a minuto.
Os dias eram claros, traziam uma luz branca para o interior das casas, mas também um travo amargo à memória. Ela recordava o azedo das suas palavras. E são as suas letras que lembram o sabor amargo. Não! Quebraste o saleiro da minha avó!!! Dá-me um pão com doce de morango é o teu lábio onde a amargura pousou a consciência numa batata adocicada, amarguramente esquecida por entre as árvores, de raízes acérrimas, por vezes doces, mas sempre salgadas palavras podem sr doces ou afiadas como pregos pregados, presos, encalhados na madeira morta!! Arre, morta e bem morta que não te levantes mais escomalha! Que me impedes
...
MAPA DE UM LUGAR
Juntaram-se as migalhas caídas, das bolachas comidas, na Praça da Migalha: daqui partiram ruas, travessas…
ou da Ilha da Migalha desenharam-se rotas…
Toponímia
Beco Amargo
Praça da Doce República
Rio do Mel
Travessa Salgema
Jardim das Salgadeiras
Istmo do Azedume
Rota do Vinagre
Ponte de D. Luís, o Doce
Rua Repulsiva II
Rotunda Blháck!
Praça do Café sem Açúcar
Avenida óleo de Fígado de Bacalhau
Bairro bolorento
Roteiro das ilhas Amargas
Urbanização Azedo de Baixo
Via das Amarguras
Aldeia Doce Sal
Ilhota dos Líquidos
Pavilhão Rosa Doce
Cais do Vinho Estragado
Avenida do Rosto Amargo
...
Juntaram-se as migalhas caídas, das bolachas comidas, na Praça da Migalha: daqui partiram ruas, travessas…
ou da Ilha da Migalha desenharam-se rotas…
Toponímia
Beco Amargo
Praça da Doce República
Rio do Mel
Travessa Salgema
Jardim das Salgadeiras
Istmo do Azedume
Rota do Vinagre
Ponte de D. Luís, o Doce
Rua Repulsiva II
Rotunda Blháck!
Praça do Café sem Açúcar
Avenida óleo de Fígado de Bacalhau
Bairro bolorento
Roteiro das ilhas Amargas
Urbanização Azedo de Baixo
Via das Amarguras
Aldeia Doce Sal
Ilhota dos Líquidos
Pavilhão Rosa Doce
Cais do Vinho Estragado
Avenida do Rosto Amargo
...
OLFACTO
segunda sessão, vinte e quatro de Setembro
segunda sessão, vinte e quatro de Setembro
APREENDER AROMAS, SOLTAR PALAVRAS
Rede de conceitos
Cortou-se ao meio um fruto, um legume, uma raiz... estimulando e associando ideias, procuraram-se substantivos e adjectivos que evocam aromas, objectos, lugares, conceitos...
Doce
Frescura
Verão
Sede
Doce
Delicioso
Espesso
Quente
Verde
Fresco
Outono
Salada de frutas
Setembro
Corpo
Folha
Outono
Chocolate quente
Canela
Casa
Infância
Fresca
Apetecível
Terra
Suculento
Intenso
Sumo
Arrepio
Primavera
Suave
Subtil
Adocicado
Mastigar
Trincar
Rilhar
Macio
Alaranjado
Maduro
Verde
Húmido
Tropical
Campestre
Natureza pura
Picante
...
Rede de conceitos
Cortou-se ao meio um fruto, um legume, uma raiz... estimulando e associando ideias, procuraram-se substantivos e adjectivos que evocam aromas, objectos, lugares, conceitos...
Doce
Frescura
Verão
Sede
Doce
Delicioso
Espesso
Quente
Verde
Fresco
Outono
Salada de frutas
Setembro
Corpo
Folha
Outono
Chocolate quente
Canela
Casa
Infância
Fresca
Apetecível
Terra
Suculento
Intenso
Sumo
Arrepio
Primavera
Suave
Subtil
Adocicado
Mastigar
Trincar
Rilhar
Macio
Alaranjado
Maduro
Verde
Húmido
Tropical
Campestre
Natureza pura
Picante
...
SEMEAR [PARA] SIGNIFICAR
Semeámos uma erva aromática, coentros, num vaso de barro. Convencionámos que o vaso desapareceu e que teriam, entretanto, germinado as sementes. Alguém (uma personagem) parte em sua busca (pequena narrativa) a partir de uma indicação no mapa da cidade anteriormente desenhada. Depois do texto, a ilustração (esquema, mapa do tesouro)
[você está aqui, o vaso está em...]
_ Rua da Salitre, Bloco ácido, Salgado nº 1
Mesmo em frente ao Jardim da Amargura (mas a rua está em obras) talvez à volta pela avenida principal
Caso lá não esteja ninguém pergunte na porta ao lado
_ Jardim das Sombras, contas 3 carvalhos em frente e dois castanheiros à esquerda, entrando pelo lado do mar
_ Cemitério das Despedidas Amargas (fica junto à Rotunda do Grão de Café)
_ Vai pelo Roteiro das Ilhas Amargas e encontra a Ilha do Cacau onde está uma palhota com o vaso lá dentro
...
Ali estava ela, a nossa estudante de bioquímica, triste, só, mais amarga do que as flores daquele jardim sufocante, circunscritor de qualquer sensação que não a de uma amargura imensurável. O nome do jardim era por isso bem sugestivo – Jardim da Flores Amargas. Ela sabia de um vaso que estava algures; queria acreditar que estaria repleto de aromas frescos, embora pairasse no seu coração amargurado a ideia de que, por essa altura, já o vaso estaria vazio, sem vida, quem sabe até partido, com a terra à sua volta. De repente sopra uma brisa e, no Jardim da Flores Amargas, a nossa flor parece adocicar-se. Neste momento já não é amarga, é doce e deseja ainda uma doçura maior. Parte na direcção da brisa, tão leve quanto ela mesma, que vai levá-la até à recôndita Fábrica de Especiarias. Lá em baixo, à sua passagem, a Praça do Limoeiro parece partilhar a esperança de encontrar as especiarias e toda a cidade é mais doce com a doçura crescente da nossa flor. A nossa flor que chega finalmente à Fábrica. Ela é uma estudiosa, mais ainda, uma apaixonada pela vida e pela sua química. Os aromas cruzados das especiarias são casa vez mais intensos, mesmo mágicos, mas a desilusão abate-se sobre toda a magia quando a nossa flor dá com o vaso vazio. Um momento! O vaso mexe-se, parece tremer cheio de vida, levando a flor, com uma esperança renovada, a pegar nele. Levanta-o. Por baixo, há um buraco que dá acesso a um novo mundo, repleto de sensações e de emoções, cheias de vida, de alegria e positivismo. E esse mundo estava mesmo ali, ao lado da Travessa sem Amargura.
...
Semeámos uma erva aromática, coentros, num vaso de barro. Convencionámos que o vaso desapareceu e que teriam, entretanto, germinado as sementes. Alguém (uma personagem) parte em sua busca (pequena narrativa) a partir de uma indicação no mapa da cidade anteriormente desenhada. Depois do texto, a ilustração (esquema, mapa do tesouro)
[você está aqui, o vaso está em...]
_ Rua da Salitre, Bloco ácido, Salgado nº 1
Mesmo em frente ao Jardim da Amargura (mas a rua está em obras) talvez à volta pela avenida principal
Caso lá não esteja ninguém pergunte na porta ao lado
_ Jardim das Sombras, contas 3 carvalhos em frente e dois castanheiros à esquerda, entrando pelo lado do mar
_ Cemitério das Despedidas Amargas (fica junto à Rotunda do Grão de Café)
_ Vai pelo Roteiro das Ilhas Amargas e encontra a Ilha do Cacau onde está uma palhota com o vaso lá dentro
...
Ali estava ela, a nossa estudante de bioquímica, triste, só, mais amarga do que as flores daquele jardim sufocante, circunscritor de qualquer sensação que não a de uma amargura imensurável. O nome do jardim era por isso bem sugestivo – Jardim da Flores Amargas. Ela sabia de um vaso que estava algures; queria acreditar que estaria repleto de aromas frescos, embora pairasse no seu coração amargurado a ideia de que, por essa altura, já o vaso estaria vazio, sem vida, quem sabe até partido, com a terra à sua volta. De repente sopra uma brisa e, no Jardim da Flores Amargas, a nossa flor parece adocicar-se. Neste momento já não é amarga, é doce e deseja ainda uma doçura maior. Parte na direcção da brisa, tão leve quanto ela mesma, que vai levá-la até à recôndita Fábrica de Especiarias. Lá em baixo, à sua passagem, a Praça do Limoeiro parece partilhar a esperança de encontrar as especiarias e toda a cidade é mais doce com a doçura crescente da nossa flor. A nossa flor que chega finalmente à Fábrica. Ela é uma estudiosa, mais ainda, uma apaixonada pela vida e pela sua química. Os aromas cruzados das especiarias são casa vez mais intensos, mesmo mágicos, mas a desilusão abate-se sobre toda a magia quando a nossa flor dá com o vaso vazio. Um momento! O vaso mexe-se, parece tremer cheio de vida, levando a flor, com uma esperança renovada, a pegar nele. Levanta-o. Por baixo, há um buraco que dá acesso a um novo mundo, repleto de sensações e de emoções, cheias de vida, de alegria e positivismo. E esse mundo estava mesmo ali, ao lado da Travessa sem Amargura.
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AUDIÇÃO
terceira sessão, um de Outubro, Dia Mundial da Música
Relação intersemiótica marca sonora/marca gráfica, experimentação gráfica, ponto, linha, mancha, pressão ao toque, velocidade, direcção, valor, hipóteses de analogia música-desenho, partilha de terminologia, movimento, ritmo, composição, peso, tensão, etc. A questão da forma: Trois Morceaux en forme de Poire, de Eric Satie.
Escutar, desenhar, os hemisférios cerebrais, musique d´ameublement, ainda Satie.
Escutar, desenhar, os hemisférios cerebrais, musique d´ameublement, ainda Satie.
DESENHAR AO CONTRÁRIO
Cópia (desenho invertido) do retrato de Stravinsky, Pablo Picasso, 1920
Cópia (desenho invertido) do retrato de Stravinsky, Pablo Picasso, 1920
DESENHAR A MÚSICA
Hipóteses gráficas a partir de trechos musicais de John Surman (em presença)
Hipóteses gráficas a partir de trechos musicais de diversos repertórios e autores (em ausência)
DESENHAR A ESCRITA
Desenho de uma palavra a partir da apropriação de letras musicadas, invertendo posição e acção entre suporte e riscador
Hipóteses gráficas a partir de trechos musicais de John Surman (em presença)
Hipóteses gráficas a partir de trechos musicais de diversos repertórios e autores (em ausência)
DESENHAR A ESCRITA
Desenho de uma palavra a partir da apropriação de letras musicadas, invertendo posição e acção entre suporte e riscador
TACTO
quarta sessão, oito de Outubro
A representação estará entre a causa e o efeito do conhecimento sobre o representado. Desenhar à vista implica, por isso, representar os atributos do avistado muito para além do que a vista oferece. Por esta razão, o tacto é tão importante no desenho. As formas materiais (objectos) oferecem-se-nos pela configuração, pelo peso, pela massa...
Através do desenho, através da escrita, servimo-nos - enquanto produtores, enquanto consumidores - da nossa condição sinestésica para nos envolvermos na leitura, numa relação íntima entre a mente e o corpo.
PSEUDÓNIMO
Construir um pseudónimo para o desenhador, um pseudónimo para o escritor
por adopção de pseudónimo já utilizado, por associação de ideias, por desconstrução linguística (anagrama, amálgama, etc)
o exemplo do anagrama em Voltaire (pseudónimo de François-Marie Arouet)
DESENHO DE MASSA
Desenhar um novelo (em ausência), desenhar uma batata e uma caneca (em presença)
Suporte: papel de desenho e papel abrasivo (lixa)
Riscador: lápis de grafite, grafite em barra, dedo indicador, esferográfica
Construir um pseudónimo para o desenhador, um pseudónimo para o escritor
por adopção de pseudónimo já utilizado, por associação de ideias, por desconstrução linguística (anagrama, amálgama, etc)
o exemplo do anagrama em Voltaire (pseudónimo de François-Marie Arouet)
DESENHO DE MASSA
Desenhar um novelo (em ausência), desenhar uma batata e uma caneca (em presença)
Suporte: papel de desenho e papel abrasivo (lixa)
Riscador: lápis de grafite, grafite em barra, dedo indicador, esferográfica
DESENHO DE CONTORNO
Desenhar, modelar, entre a visão e o tacto
Desenhar, modelar, entre a visão e o tacto
APROPRIAÇÃO, MANIPULAÇÃO DA ESCRITA
Listar palavras relacionadas gramaticalmente ou por associação de ideias no âmbito da sensação táctil
A partir de um trecho de Cândido de Voltaire, introduzir massa textual no texto fonte, desenvolvendo uma frase ou parágrafo em compromisso com a sensorialização táctil da escrita.
(...) "O Sr. Barão era um dos mais poderosos senhores da Vestefália, porque o seu castelo tinha uma porta e algumas janelas. O salão era até ornado com uma tapeçaria" aveludada, não, bem felpudinha, que até dava vontade de se enroscar nela, formando como que o maior, o mais fofo, alegre dos novelos, e o mais espesinhável também, se tivermos em conta a sua situação.
RP, pseudónimo de LV
(...) Expulso do paraíso terrestre, Cândido caminhou durante muito tempo, sem saber por onde, chorando, erguendo os olhos ao céu, voltando-se muitas vezes para o mais belos dos castelos, que encerrava nos seus muros a mais bela das baronesazinhas. Dormiu sem cear no meio dos campos, entre dois regos. A neve tombava em grandes flocos. Cândido acordou, noite cerrada, transido de frio. Esticou os braços quase dormentes e sentiu um calor morno na ponta dos dedos. Mergulhou as mãos, geladas pela neve, numa pasta agradável. Trouxe as mãos à cara, para a aquecer, e só então se apercebeu de que as vacas tinham andado por ali. Esfregou as mãos na neve e sorriu satisfeito, um sorriso tímido, gelado pelas mãos, porque aquele acidente acontecera porque tinha que acontecer. Bem lhe havia dito mestre Pangloss que tudo se passa pelo melhor neste mundo...
MM, pseudónimo de RR
(...) "Pediu esmola a várias personagens graves, que, sem excepção, lhe responderam que, se continuasse a mendigar, o meteriam numa casa de correcção, para lhe ensinar um meio de vida.
Dirigiu-se em seguida a um homem que acabara de falar durante uma hora inteira, numa grande assembleia, pregando a caridade. Este orador, olhando-o de través, disse-lhe:
- Que vindes aqui fazer? Estais aqui para a boa causa?
- Não há efeito sem causa – respondeu Cândido com modéstia." – O frio deixa-me doido. Arrasto-me em arrepios há duas horas. (...)
VL
"(...) é preciso que mendigue o meu pão, até que possa ganhar a vida. Não podia ser de outro maneira.
- Meu amigo - disse-lhe o orador -, acreditais que o papa seja o Anticristo?
- Ainda não o tinha ouvido dizer - respondeu Cândido -, mas quer o seja, quer não, preciso de comer.
- Tu não mereces que te dêem de comer - disse o outro. - Vai-te, patife; sai daqui, miserável, não me voltes a aparecer." Chamo a polícia, que está ali à frente.
A mulher do orador, tendo aparecido à janela e apercebendo-se de que havia um homem que duvidava que o papa fosse o Anticristo, despejou-lhe em cima um vaso cheio de imundíces. Oh, Céus, a que excessos o zelo da religião leva as damas!
Um homem que não tinha sido sequer baptizado, um bom anabaptista, chamado Tiago, viu a maneira cruel e ignominiosa como era tratado um dos seus irmãos, um bípede sem penas, que tinha uma alma. Levou-o para casa, limpou-o, deu-lhe pão e cerveja, fez-lhe presente de dois florins e ofereceu-lhe mesmo trabalho nas suas manufacturas de tecidos persas que se fabricam na Holanda. Cândido, quase se ajoelhando diante dele, exclamou:
- Bem me havia dito mestre Pangloss que tudo se passa pelo melhor neste mundo, porque estou infinitamente mais tocado pela vossa generosidade do que pela dureza daquele senhor de manto negro e da senhora sua esposa.
No dia seguinte, quando passeava pelas ruas, encontrou um pedinte coberto de pústulas, de olhar amortecido, a ponta do nariz roída, a boca torcida, os dentes negros, falando pela garganta e atacado de uma tosse tão violenta que escarrava um dente de cada vez que tossia.
AD, pseudónimo de IS
Listar palavras relacionadas gramaticalmente ou por associação de ideias no âmbito da sensação táctil
A partir de um trecho de Cândido de Voltaire, introduzir massa textual no texto fonte, desenvolvendo uma frase ou parágrafo em compromisso com a sensorialização táctil da escrita.
(...) "O Sr. Barão era um dos mais poderosos senhores da Vestefália, porque o seu castelo tinha uma porta e algumas janelas. O salão era até ornado com uma tapeçaria" aveludada, não, bem felpudinha, que até dava vontade de se enroscar nela, formando como que o maior, o mais fofo, alegre dos novelos, e o mais espesinhável também, se tivermos em conta a sua situação.
RP, pseudónimo de LV
(...) Expulso do paraíso terrestre, Cândido caminhou durante muito tempo, sem saber por onde, chorando, erguendo os olhos ao céu, voltando-se muitas vezes para o mais belos dos castelos, que encerrava nos seus muros a mais bela das baronesazinhas. Dormiu sem cear no meio dos campos, entre dois regos. A neve tombava em grandes flocos. Cândido acordou, noite cerrada, transido de frio. Esticou os braços quase dormentes e sentiu um calor morno na ponta dos dedos. Mergulhou as mãos, geladas pela neve, numa pasta agradável. Trouxe as mãos à cara, para a aquecer, e só então se apercebeu de que as vacas tinham andado por ali. Esfregou as mãos na neve e sorriu satisfeito, um sorriso tímido, gelado pelas mãos, porque aquele acidente acontecera porque tinha que acontecer. Bem lhe havia dito mestre Pangloss que tudo se passa pelo melhor neste mundo...
MM, pseudónimo de RR
(...) "Pediu esmola a várias personagens graves, que, sem excepção, lhe responderam que, se continuasse a mendigar, o meteriam numa casa de correcção, para lhe ensinar um meio de vida.
Dirigiu-se em seguida a um homem que acabara de falar durante uma hora inteira, numa grande assembleia, pregando a caridade. Este orador, olhando-o de través, disse-lhe:
- Que vindes aqui fazer? Estais aqui para a boa causa?
- Não há efeito sem causa – respondeu Cândido com modéstia." – O frio deixa-me doido. Arrasto-me em arrepios há duas horas. (...)
VL
"(...) é preciso que mendigue o meu pão, até que possa ganhar a vida. Não podia ser de outro maneira.
- Meu amigo - disse-lhe o orador -, acreditais que o papa seja o Anticristo?
- Ainda não o tinha ouvido dizer - respondeu Cândido -, mas quer o seja, quer não, preciso de comer.
- Tu não mereces que te dêem de comer - disse o outro. - Vai-te, patife; sai daqui, miserável, não me voltes a aparecer." Chamo a polícia, que está ali à frente.
A mulher do orador, tendo aparecido à janela e apercebendo-se de que havia um homem que duvidava que o papa fosse o Anticristo, despejou-lhe em cima um vaso cheio de imundíces. Oh, Céus, a que excessos o zelo da religião leva as damas!
Um homem que não tinha sido sequer baptizado, um bom anabaptista, chamado Tiago, viu a maneira cruel e ignominiosa como era tratado um dos seus irmãos, um bípede sem penas, que tinha uma alma. Levou-o para casa, limpou-o, deu-lhe pão e cerveja, fez-lhe presente de dois florins e ofereceu-lhe mesmo trabalho nas suas manufacturas de tecidos persas que se fabricam na Holanda. Cândido, quase se ajoelhando diante dele, exclamou:
- Bem me havia dito mestre Pangloss que tudo se passa pelo melhor neste mundo, porque estou infinitamente mais tocado pela vossa generosidade do que pela dureza daquele senhor de manto negro e da senhora sua esposa.
No dia seguinte, quando passeava pelas ruas, encontrou um pedinte coberto de pústulas, de olhar amortecido, a ponta do nariz roída, a boca torcida, os dentes negros, falando pela garganta e atacado de uma tosse tão violenta que escarrava um dente de cada vez que tossia.
AD, pseudónimo de IS
VISÃO
quinta sessão, quinze de Outubro
D´après Voltaire
Ver de olhos abertos, ver com um olho fechado e outro aberto (a visão monocular, o olho director), ver de olhos semi-cerrados
Ver desenhando, apontamentos em torno do busto de Voltaire (Houdon).
Ver escrevendo, aforismos em torno da visão, do desenho, da representação... e do optimismo (?)
No último diálogo com Pangloss, diz-lhe Cândido: Tudo isso é muito bonito, mas o que é preciso é cultivar o nosso jardim.
Continuemos a cultivá-lo!
quinta sessão, quinze de Outubro
D´après Voltaire
Ver de olhos abertos, ver com um olho fechado e outro aberto (a visão monocular, o olho director), ver de olhos semi-cerrados
Ver desenhando, apontamentos em torno do busto de Voltaire (Houdon).
Ver escrevendo, aforismos em torno da visão, do desenho, da representação... e do optimismo (?)
No último diálogo com Pangloss, diz-lhe Cândido: Tudo isso é muito bonito, mas o que é preciso é cultivar o nosso jardim.
Continuemos a cultivá-lo!
DESENHO NEGATIVO
Figura-fundo, positivo-negativo, ver, representar o fundo
Experimentação de diversos riscadores e materiais, grafite, pastel seco, esfuminho, aparo, aguarela de grafite, tinta da china
Figura-fundo, positivo-negativo, ver, representar o fundo
Experimentação de diversos riscadores e materiais, grafite, pastel seco, esfuminho, aparo, aguarela de grafite, tinta da china
ESQUISSO
Esquisso ou esguicho, carácter, indicação sumária da forma
da laranjice da laranja, da cadeirice da cadeira... da bustice do busto,
desenho de síntese
Esquisso ou esguicho, carácter, indicação sumária da forma
da laranjice da laranja, da cadeirice da cadeira... da bustice do busto,
desenho de síntese
DESENHO COM VISOR
Velo, janela, estrutura do plano de representação
desenho de análise
Velo, janela, estrutura do plano de representação
desenho de análise
AFORISMOS
A partir de cinco palavras-chave, cinco expressões idiomáticas
e uma palavra adicionada ao jogo (apropriação de diálogo em Cândido)
A partir de cinco palavras-chave, cinco expressões idiomáticas
e uma palavra adicionada ao jogo (apropriação de diálogo em Cândido)
Palavras-chave 1
Ver
Olho
Cego
Visão
Observar
Cones
cortex visual
Via dorsal
Decussassão
Óculos
Imagem
Filme
Visor
Visionário
Vigilante
Vigia
Miradouro
Visual
Imagem
Cor
Olhar
Boavista
Videira
Vídeo
Viseira
Relance
Piscar
Expressões idiomáticas e não só
Blue Eyes
Quem tem olho é rei
Quem vê caras não vê corações
O amor é cego
Bons olhos te vejam
Longe da vista, longe do coração
Os olhos são o espelho da alma
Se o olhar matasse
Fazer olhinhos
Testemunha ocular
Olho por olho, dente por dente
Sob o olhar atento de
Sob esse ponto de vista
Olha para ti
É pau, é pedra...
Dar no olho
Só olham para o umbigo deles
Olho clínico
Mira-mortos
Olhos de lince
Olhos nos olhos
Pare, olhe, escute
Ver é reconhecer
Ver bem é não reconhecer
Longe da vista, perto do coração
Mirone
Já te estou a ver mal
Olha para a frente, senão cais
Se tu visses!
Bons olhos te vejam
Palavras-chave 2 sorteadas
Tudo I isso I é I muito I bonito I mas I o I que I é I preciso I é I cultivar I o I nosso I jardim
Aforismos
Ver é desejar.
Quem tem um olho é rei.
Observar é desenvolver-te na minha alma.
Blue Eyes é demais.
Para olhar dentro de ti é preciso coragem para desvendar mistério.
O teu olhar é deslumbrante, queima sem tocar.
Olhar sem ver é um defeito muito comum de quem não acredita.
Olho por olho, dente por dente, é o lema de muita gente.
É com muito agrado que hoje te vejo, leve como o vento.
O coração é um desenho que não se contém.
Tudo o que vemos são formas de olhar.
O esboço é um olhar que não quer acabar.
O contorno é que policia a visão.
Cair na cegueira é ceder ao abismo que é a visão.
A sensação plena é atingível, mas não conheço ninguém que a tenha atingido.
Nunca conheci o preto, mas há quem diga que não há nada como breu.
Tentei levar o passeio avante, mas quando reparei, ainda não tinha nascido e já o filho era maior do que o pai.
Mas nunca vou acreditar no que digo, tão pouco no que vejo.
O sapo encontrou a borboleta e disse: quem te viu e quem te vê!
O miradouro vigia a paisagem, regista-a, grava o assobio do vento e exclama: oh!
O visionário é quem olha com os outros , mas vê antes deles.
O melhor bisturi é o olho clínico.
Não me vigies a mim, vigia antes o outro.
Desenhar não é ver, é apalpar o mundo.
O amor é cego, não desenha.
Para reconhecer o objecto basta olhar, para ver é preciso esquecê-lo.
Paro, escuto, olho, mas não vejo o que está lá.
Na terra do amor, quem é cego, ama.
É preciso olhar para encantar.
Em terra de cegos, precisas pelo menos de um olho, para seres rei.
Quando a memória sente que precisa do desenho.
É preciso olhar para ver.
Muito desenhar para pouco restar.
Quanto mais olhas menos vês.
Olha e diz-me o que não vês.
Ver
Olho
Cego
Visão
Observar
Cones
cortex visual
Via dorsal
Decussassão
Óculos
Imagem
Filme
Visor
Visionário
Vigilante
Vigia
Miradouro
Visual
Imagem
Cor
Olhar
Boavista
Videira
Vídeo
Viseira
Relance
Piscar
Expressões idiomáticas e não só
Blue Eyes
Quem tem olho é rei
Quem vê caras não vê corações
O amor é cego
Bons olhos te vejam
Longe da vista, longe do coração
Os olhos são o espelho da alma
Se o olhar matasse
Fazer olhinhos
Testemunha ocular
Olho por olho, dente por dente
Sob o olhar atento de
Sob esse ponto de vista
Olha para ti
É pau, é pedra...
Dar no olho
Só olham para o umbigo deles
Olho clínico
Mira-mortos
Olhos de lince
Olhos nos olhos
Pare, olhe, escute
Ver é reconhecer
Ver bem é não reconhecer
Longe da vista, perto do coração
Mirone
Já te estou a ver mal
Olha para a frente, senão cais
Se tu visses!
Bons olhos te vejam
Palavras-chave 2 sorteadas
Tudo I isso I é I muito I bonito I mas I o I que I é I preciso I é I cultivar I o I nosso I jardim
Aforismos
Ver é desejar.
Quem tem um olho é rei.
Observar é desenvolver-te na minha alma.
Blue Eyes é demais.
Para olhar dentro de ti é preciso coragem para desvendar mistério.
O teu olhar é deslumbrante, queima sem tocar.
Olhar sem ver é um defeito muito comum de quem não acredita.
Olho por olho, dente por dente, é o lema de muita gente.
É com muito agrado que hoje te vejo, leve como o vento.
O coração é um desenho que não se contém.
Tudo o que vemos são formas de olhar.
O esboço é um olhar que não quer acabar.
O contorno é que policia a visão.
Cair na cegueira é ceder ao abismo que é a visão.
A sensação plena é atingível, mas não conheço ninguém que a tenha atingido.
Nunca conheci o preto, mas há quem diga que não há nada como breu.
Tentei levar o passeio avante, mas quando reparei, ainda não tinha nascido e já o filho era maior do que o pai.
Mas nunca vou acreditar no que digo, tão pouco no que vejo.
O sapo encontrou a borboleta e disse: quem te viu e quem te vê!
O miradouro vigia a paisagem, regista-a, grava o assobio do vento e exclama: oh!
O visionário é quem olha com os outros , mas vê antes deles.
O melhor bisturi é o olho clínico.
Não me vigies a mim, vigia antes o outro.
Desenhar não é ver, é apalpar o mundo.
O amor é cego, não desenha.
Para reconhecer o objecto basta olhar, para ver é preciso esquecê-lo.
Paro, escuto, olho, mas não vejo o que está lá.
Na terra do amor, quem é cego, ama.
É preciso olhar para encantar.
Em terra de cegos, precisas pelo menos de um olho, para seres rei.
Quando a memória sente que precisa do desenho.
É preciso olhar para ver.
Muito desenhar para pouco restar.
Quanto mais olhas menos vês.
Olha e diz-me o que não vês.
*
O módulo terminou
Combinámos reencontrar-nos para re-ver o que fizémos
para procurar os sentidos que só a distância sabe encontrar
O blog continua, na sonda dos sentidos
Até mais b´logo!
O módulo terminou
Combinámos reencontrar-nos para re-ver o que fizémos
para procurar os sentidos que só a distância sabe encontrar
O blog continua, na sonda dos sentidos
Até mais b´logo!
Epílogo em forma de introdução
A criatividade não tira do nada: tira de tudo!
Nesta primeira edição do workshop, pensei pôr na mesa um conjunto de aspectos heterogéneos, escolhidos de uma paleta enorme
de possibilidades. Assim, partimos, por vezes, de aspectos mais específicos, outras vezes alojámo-nos em questões mais abrangentes
ou até banais. Entre um esboço à vista e um esquema apontado, entre uma palavra saída do dicionário e uma frase tirada do bolso,
entre trocas, olhares, gestos... dialogámos através do óbvio, do estranho, do previsível, do imprevisto.
Terá sido tudo isto importante? Insignificante? Dispensável? Indispensável?
Talvez um pouco de tudo: sentimos sempre na pele a marca deste harmónio, deste “tudo-nada” que nos põe a mexer
e nos traz sensíveis ao útil e ao inútil. Pretendi, acima de tudo, que nos mantivéssemos disponíveis para fazer juz à grande disponibilidade com que a escrita e o desenho se nos oferecem.
O desenho e a escrita desenvolvem-se entre a dificuldade e a facilidade, entre o prazer e a dor, entre a frustração e o entusiasmo,
entre o importante e o irrelevante, entre o aproveitar e o deitar fora, entre a extensão da procura e a intensidade do encontro...
O entusiasmo de quem se juntou nestas sessões fixou-se numa erva aromática, entregue aos cuidados do alfobre da Reitoria.
Semear é significar: signi-ficaremos a partir de agora nos sentidos que construímos.
Foi muito fácil gostar de vos ter conhecido mas é sempre difícil gostar de despedidas.
ER.29.10.09
A criatividade não tira do nada: tira de tudo!
Nesta primeira edição do workshop, pensei pôr na mesa um conjunto de aspectos heterogéneos, escolhidos de uma paleta enorme
de possibilidades. Assim, partimos, por vezes, de aspectos mais específicos, outras vezes alojámo-nos em questões mais abrangentes
ou até banais. Entre um esboço à vista e um esquema apontado, entre uma palavra saída do dicionário e uma frase tirada do bolso,
entre trocas, olhares, gestos... dialogámos através do óbvio, do estranho, do previsível, do imprevisto.
Terá sido tudo isto importante? Insignificante? Dispensável? Indispensável?
Talvez um pouco de tudo: sentimos sempre na pele a marca deste harmónio, deste “tudo-nada” que nos põe a mexer
e nos traz sensíveis ao útil e ao inútil. Pretendi, acima de tudo, que nos mantivéssemos disponíveis para fazer juz à grande disponibilidade com que a escrita e o desenho se nos oferecem.
O desenho e a escrita desenvolvem-se entre a dificuldade e a facilidade, entre o prazer e a dor, entre a frustração e o entusiasmo,
entre o importante e o irrelevante, entre o aproveitar e o deitar fora, entre a extensão da procura e a intensidade do encontro...
O entusiasmo de quem se juntou nestas sessões fixou-se numa erva aromática, entregue aos cuidados do alfobre da Reitoria.
Semear é significar: signi-ficaremos a partir de agora nos sentidos que construímos.
Foi muito fácil gostar de vos ter conhecido mas é sempre difícil gostar de despedidas.
ER.29.10.09
































































































